Revista História em Reflexão
Revista Eletrônica de História
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Visitante número:
Revista História em Reflexão
Vol I N. 1 Jan/Jun 2007
ISSN 1981-2434

Revista

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Apresentação

É com satisfação que apresentamos à comunidade acadêmica o primeiro número da Revista Eletrônica História em Reflexão. Está publicação faz parte de um projeto de democratização da divulgação do conhecimento científico nas Ciências Humanas, especialmente na História. Acreditamos que devido à facilidade de acesso propiciada pela Internet, a revista alcançará um número elevado de leitores que poderão tomar conhecimento de diversos temas que vêm sendo pesquisados por todo o Brasil. Por outro lado os autores encontrão um canal versátil e de alto nível editorial para divulgar seus trabalhos. Salientamos também que História em Reflexão pretende contar cada vez mais com autores estudantes, sendo um espaço de incentivo à pesquisa desde a graduação até à profissional de mais alta qualidade.

História em Reflexão surge como fruto da colaboração de diversas pessoas entre pós-graduandos e professores da Universidade Federal da Grande Dourados, agradecemos a imprescindível colaboração dos órgãos universitários envolvidos no projeto, sem o qual sua execução não teria ocorrido. Sendo assim damos o nosso obrigado à Pró-reitoria de Pesquisa e Pós-graduação, ao Programa de Pós-graduação em História, à Coordenação do curso de graduação em História, à Faculdade de Ciências Humanas, ao Laboratório de Arqueologia Etnoistória e Etnologia e à Coordenadoria de Informática e aos seus respectivos titulares.

Nesse sentido, História em Reflexão traz em seu primeiro número trabalhos de pesquisas que fomentam esse projeto de democratização. No artigo “História e antropologia no campo da Nova História”, Antonio Paulo Benatte defende a idéia de que a historiografia francesa da década de 1970 teve uma guinada para a antropologia como um dos acontecimentos mais marcantes e polêmicos da chamada Nova História. O objetivo deste trabalho é analisar o modo como se constituiu esse diálogo interdisciplinar e a forma de interpretação histórica que resulta dele.

Clarisse Ismério no texto intitulado “ As representações do feminino na educação rio-grandense segundo o discurso positivista (1889-1930)”, mostra que educação feminina no Rio Grande do Sul foi marcada pela influência do discurso positivista, que elegeu a mulher sua grande guardiã, mas ao mesmo tempo reforça a mentalidade baseada na moral conservadora que tinha como objetivo tirar a mulher do campo profissional e científico. Restringindo-a ao espaço privado, alegando que era irracional e não tinha controle de seus impulsos. Somente presa ao lar e tutelada pelo homem, poderia exercer uma influência positiva.

Claudia Graziolli Somma Jacinto, em “Metáforas e analogias sobre o Negro no Brasil” analisa aspectos do processo de exclusão a que ficam submetidos os libertos da escravidão em fins do século XIX no Brasil. Esta reflexão é elaborada a partir das evidências dos preconceitos vigentes na sociedade brasileira, baseados nos registros de alienistas e médicos paulistas que, juntamente com o poder público, assumem os ideais de uma sociedade "moderna" e "civilizada", adotada pelos grupos dominantes e que formavam opinião pública na época. O processo de reurbanização pelo qual a cidade de São Paulo passa no final do século XIX redistribui espacialmente a população paulista e, neste contexto, em que cada um passa a ocupar um lugar correspondente à sua condição social, o ex-escravo que na condição anterior era reconhecido como um de seus integrantes, agora livre, deixara seu lugar de pertencimento passando à condição de exclusão e a existir sem ser visto e integrando o imaginário popular através de metáforas e analogias.

José Adriano Fenerick, no artigo “Noel Rosa, o samba e a invenção da Música Popular Brasileira”, apresenta algumas considerações sobre as transformações (simbólicas) do samba em meio ao processo de modernização da música popular brasileira da década de 1930. Parte do pressuposto de que as polêmicas travadas entre sambistas no Rio de Janeiro das primeiras décadas do século XX, mais do que indicar as várias transformações técnico-musicais pelas quais o samba passava, inseriam-se no processo de estruturação de um mercado musical, onde o sambista, cada vez mais, tornava-se um “profissional do samba”, ao mesmo tempo em que criava a moderna música popular brasileira. Esse período, a década de 1930, foi o tempo de atuação de Noel Rosa como compositor de sambas, e tendo sido a sua participação marcante em todo o processo, o Poeta da Vila nos serviu como uma referência analítica.

Levi Marques Pereira em “Mobilidade e processos de territorialização entre os Kaiowá atuais” identifica e descreve algumas modalidades de assentamento dos Kaiowá atuais. Essas modalidades são de desenvolvimento recente, sendo possível defini-las como respostas adaptativas das populações Kaiowá às profundas transformações históricas e econômicas por que passou Mato Grosso do Sul. Isto porque, a partir da chegada das frentes de ocupação agropastoris, muitas comunidades Kaiowá perderam a terra onde radicavam suas aldeias, situação que alterou profundamente as formas de manejo do ambiente e de apropriação dos recursos nele existentes. Alteraram-se também as formas organizacionais, e várias estratégias são colocadas em prática para assegurar o acesso aos recursos necessários à produção da existência material e ao provimento de elementos da cultura material associados a categorias de representação do grupo étnico em questão.

Em “A imigração de sírios e libaneses no antigo Sul de Mato Grosso: o caso de Dourados (1914 – 1960)”, Roney Salina de Souza analisa os fatores políticos e econômicos da emigração de sírios e libaneses da Grande Síria, no Oriente Médio, para o interior do Brasil, no antigo Sul de Mato Grosso, na cidade de Dourados. No início do século XX, Dourados apresentou mudanças nos meios de transporte e nos centros de abastecimento do comércio circunscrito, que passavam por Aquidauana, Campo Grande e depois ao oeste de São Paulo. Iniciavam com o trabalho móvel de mascates, depois fixam residências e casas comerciais já no início dos anos 1920. Com a implantação da Colônia Agrícola Nacional de Dourados – CAND, 1943, a cidade acelerou seu processo de urbanização, aumentando a população e tornando-se um espaço promissor de maiores relações comerciais atraindo mais ainda imigrantes sírios e libaneses, os quais ajudaram a compor as diferentes identidades locais.

Viviane Trindade Borges no artigo denominado “Traços de subjetividade: os escritos dos pacientes do Centro Agrícola de Reabilitação (Viamão/RS – 1972-1982)”, tem objetivo perceber as táticas de resistência dos internados do Centro Agrícola de Reabilitação (Viamão/RS) através da subjetividade presente em seus escritos.

Além dos artigos acima apresentados História em Reflexão traz uma entrevista com o historiador Ronaldo Vainfas que faz uma discussão acerca da História, Historiografia e Pós-graduação no Brasil, evidenciando especialmente as últimas três décadas e seu desenvolvimento no país.

Para encerrar está primeira edição contamos ainda com as resenhas de “ O golpe e a ditadura militar: quarenta anos depois (1964-2004)” obra dos autores Daniel Aarão Reis; Marcelo Ridenti e Rodrigo Sá Motta, elaborada por Carla Michele Ramos, o trabalho de Eudes Fernando Leite resenhando o livro do historiador Peter Burke intitulado “ O que é história Cultural” e a resenha da obra “ Escrita de si, escrita da História” de Ângela de Castro Gomes , elaborada por Victória Gambetta da Silva, História em Reflexão deseja a você uma excelente leitura, até a próxima edição.

 

Leandro Baller

Thiago Leandro Vieira Cavalcante

Editores